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Izabela Vianna Nutrição
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Treinar em jejum vale a pena?

Não para todo mundo. Veja perfis em que ajuda e quando atrapalha.

Treinar em jejum vale a pena?

Treinar em jejum não é mais saudável nem mais efetivo, é só diferente. Quando entendo isso, fica mais fácil avaliar se o jejum pré-treino faz sentido para uma pessoa específica ou se está atrapalhando o resultado dela. A pergunta certa não é se funciona, é para quem, para qual treino e dentro de qual rotina alimentar geral. Vou te apresentar como costumo conduzir essa decisão no consultório.

O que acontece no jejum

Quando você acorda depois de oito a doze horas sem comer, seu glicogênio hepático está parcialmente reduzido, a insulina circula em níveis baixos e a mobilização de ácidos graxos está mais ativa. Em estado de repouso, isso não causa problema algum. Em movimento, especialmente em intensidades altas, o corpo precisa de combustível pronto, e a forma como ele obtém isso muda conforme a duração e o tipo do exercício.

Por décadas se acreditou que treinar em jejum aumentaria substancialmente a perda de gordura. A literatura mais robusta mostra que, no balanço de vinte e quatro horas, a diferença é pequena ou nula quando o total calórico e a proteína são equivalentes. Em outras palavras, treinar em jejum oxida mais gordura durante o treino, mas o corpo se compensa nas horas seguintes, e o resultado final no espelho costuma ser parecido.

Quem responde bem

Existem perfis em que o jejum funciona naturalmente. Pessoas que sentem desconforto digestivo ao comer cedo, que treinam logo ao acordar, que têm rotina apertada e preferem não complicar a manhã, e que mantêm boa massa magra com cardápio bem estruturado no resto do dia, costumam treinar em jejum sem prejuízo.

Para sessões de cardio leve a moderado, em duração de até quarenta e cinco a sessenta minutos, e em perfis adaptados, o jejum pode ser uma estratégia confortável e funcional. Importante: o que faz a diferença para esses perfis não é o jejum em si, é o conjunto da rotina, com aporte adequado de proteína distribuída no dia, hidratação cuidada e sono em ordem.

Cardio x força em jejum

Aqui a discussão muda. Treinos de força com objetivo de hipertrofia ou de ganho de performance em intensidades altas raramente se beneficiam do jejum. Há queda perceptível de carga, sensação de fadiga prematura, redução da qualidade técnica do movimento e, ao longo do tempo, maior risco de catabolismo, ou seja, perda de tecido muscular para suprir a demanda energética.

Para corredores e ciclistas em treinos longos, jejum também costuma ser contraproducente. A sessão fica mais penosa, o ritmo cai e a recuperação posterior é mais arrastada. Atletas avançados às vezes usam treinos pontuais em estado glicogênio baixo como estratégia específica, mas isso é planejamento, não rotina.

Sinais de que não está funcionando

Alguns sinais clínicos me fazem rever o jejum pré-treino com a paciente. Quando há tontura, palpitação, mal-estar durante o treino, sensação de braço pesado nas primeiras séries, irritabilidade no resto da manhã, ou quando a pessoa percebe que está perdendo carga progressivamente sem outra explicação, considero introduzir uma pequena refeição antes.

Em mulheres em transição hormonal, perimenopausa, com histórico de compulsão alimentar ou de relação difícil com a fome, o jejum também merece cautela. Para esses perfis, comer algo leve trinta a sessenta minutos antes do treino, como uma fruta com pasta de oleaginosa ou um pouco de iogurte, costuma melhorar tanto o desempenho quanto a relação com o resto do dia alimentar.

A decisão de treinar em jejum não é questão de princípio, é questão de adequação. Quando avalio o objetivo, o tipo de treino, a resposta do corpo e a rotina inteira, fica claro se essa estratégia serve ou se está atrapalhando o que a pessoa quer alcançar. E é essa avaliação caso a caso que separa o conselho de internet do plano que de fato sustenta o resultado.

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