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Izabela Vianna Nutrição
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Intestino4 min·

SIBO: o que é, como avaliar e tratar

Inchaço, gases, intolerâncias múltiplas — pode ser SIBO. Veja a investigação.

SIBO: o que é, como avaliar e tratar

Existe um padrão que aprendi a reconhecer em consulta. A paciente chega contando que, nos últimos meses ou anos, "tudo começou a cair mal". Alimentos que ela sempre comeu sem problema passaram a causar inchaço, gases, desconforto. Cortou um, melhorou um pouco, cortou outro, melhorou de novo, e quando se deu conta a lista de alimentos tolerados estava minúscula. Esse padrão de intolerâncias múltiplas que apareceram juntas e progressivamente é um dos sinais clássicos que me fazem suspeitar de SIBO, e vale entender o que está em jogo antes de cortar mais alguma coisa.

O que é SIBO

A sigla vem do inglês: small intestinal bacterial overgrowth, ou crescimento bacteriano excessivo no intestino delgado. Em condições normais, a maior parte das bactérias do trato digestivo mora no intestino grosso. O delgado, onde acontece grande parte da absorção dos nutrientes, tem uma população bacteriana relativamente baixa. No SIBO, esse equilíbrio se quebra: bactérias se multiplicam no delgado em quantidade fora do esperado, e isso gera uma série de consequências.

Essas bactérias passam a fermentar os carboidratos antes que eles sejam adequadamente absorvidos. O resultado é produção excessiva de gases — hidrogênio, metano, em alguns casos sulfeto de hidrogênio — distensão abdominal, alterações no trânsito intestinal (constipação no perfil metano-produtor, diarreia no hidrogênio-produtor), e dificuldade progressiva de tolerar alimentos que antes passavam sem problema.

Os sintomas que levantam a suspeita

O quadro clínico clássico inclui distensão abdominal pós-prandial intensa, gases em quantidade desconfortável, alteração no hábito intestinal, sensação de plenitude precoce, e — esse é o detalhe que muitos profissionais não pegam — o aparecimento progressivo de intolerâncias múltiplas. A pessoa relata que passou a reagir mal a lactose, depois a frutose, depois a vegetais que sempre comeu, depois a feijão. Vai cortando, melhora parcialmente, mas o cardápio fica cada vez mais restrito sem solução real.

Outros sinais que costumo observar: deficiências nutricionais sem causa óbvia — especialmente de vitamina B12, ferro, vitaminas lipossolúveis —, fadiga persistente, sintomas de pele recorrentes, e história de quadros que aumentam o risco como uso prolongado de inibidores de bomba de prótons, cirurgias abdominais prévias, hipotireoidismo, ou episódios significativos de gastroenterite.

Como o diagnóstico é feito

O método mais usado hoje é o teste respiratório com lactulose ou glicose. A paciente ingere o substrato em jejum e, ao longo de algumas horas, sopra em tubos coletores em intervalos definidos. Os tubos são analisados para concentração de hidrogênio e metano, e o padrão das curvas dá indicação de presença e tipo de SIBO.

O teste tem limitações importantes — sensibilidade e especificidade não são perfeitas, exige preparo dietético cuidadoso nos dias anteriores, e a interpretação precisa ser feita por profissional que conheça as nuances. Por isso, o diagnóstico de SIBO não se faz só com o resultado de papel; combina clínica, história, exame físico e o teste, idealmente em conjunto com o gastroenterologista que acompanha a paciente.

A estratégia alimentar durante o tratamento

O tratamento envolve duas frentes que precisam andar juntas: redução da carga bacteriana, geralmente com antibiótico específico prescrito pelo médico, e estratégia alimentar que reduza o substrato fermentável durante essa fase. A dieta mais usada nesse contexto é a baixa em FODMAPs — fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis — por um período definido, com reintrodução controlada depois.

Essa não é uma dieta para vida inteira. É um protocolo terapêutico com tempo definido, fases bem demarcadas, e reintrodução planejada de cada categoria para identificar tolerâncias individuais. Conduzida sem método, vira restrição perpétua sem ganho clínico. Conduzida com método, identifica o gatilho, trata a fase aguda, e devolve diversidade alimentar à pessoa ao longo dos meses.

O acompanhamento conjunto entre médico e nutricionista, com retornos frequentes, ajuste do protocolo conforme a resposta, e atenção ao restabelecimento da motilidade intestinal e da microbiota, é o que faz a diferença entre tratar o SIBO de verdade e apenas mascarar sintomas. É esse tipo de condução cuidadosa que estruturo dentro do trabalho clínico.

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