Pular para o conteúdo
Izabela Vianna Nutrição
Todos os posts
Clínica4 min·

Queda de cabelo e alimentação: a conexão que muitos perdem

Antes de comprar shampoo caro, olhe o prato.

Queda de cabelo e alimentação: a conexão que muitos perdem

Cabelo é dos últimos lugares que o corpo prioriza nutrientes. Essa hierarquia biológica explica porque, antes de cair na próxima ampola milagrosa, vale olhar o prato com seriedade. Quando o organismo está em déficit de nutrientes específicos, em estresse prolongado ou em dieta muito restritiva, o fio é dos primeiros a entregar a conta. Vou te mostrar o que avalio no consultório quando alguém chega com queda capilar persistente e por onde costuma sair o nó.

Nutrientes do fio

O fio de cabelo é composto principalmente de queratina, uma proteína estruturada. Para que sua produção aconteça em ritmo normal, o organismo precisa de proteína suficiente, ferro, zinco, biotina, vitamina D, vitamina B12, ácidos graxos essenciais e oligoelementos como o selênio. Quando algum desses está em falta consistente, o ciclo de crescimento se altera, mais fios entram em fase de queda ao mesmo tempo, e o resultado aparece no chão do banheiro semanas depois.

Vale notar a defasagem temporal. Aquilo que está caindo hoje é reflexo do que aconteceu no organismo entre dois e quatro meses atrás. Por isso a queda costuma surpreender. A pessoa diz que está se alimentando bem agora, mas o sinal vem da fase anterior, de uma dieta muito restritiva, de uma doença, de um pós-parto, de um período de estresse prolongado.

Sinais de deficiência

Alguns padrões clínicos chamam atenção. Queda difusa, com afinamento geral do volume, costuma apontar para deficiências nutricionais ou alterações hormonais sistêmicas. Unhas frágeis, com sulcos longitudinais ou que quebram facilmente, reforçam a hipótese de carência. Pele opaca, cansaço persistente sem explicação clara, intolerância ao frio, palidez, todos são pistas que pedem investigação.

Em mulheres em idade reprodutiva, a deficiência de ferro é uma das causas mais frequentes que encontro, e nem sempre acompanha anemia evidente. A ferritina baixa, mesmo com hemograma normal, já é suficiente para impactar o cabelo. Em outros perfis, a deficiência de vitamina D, comum no Brasil apesar do sol, e a B12 em quem segue alimentação restritiva sem suplementação, aparecem com frequência.

Exames que peço

A investigação alimentar começa com uma conversa detalhada sobre histórico, padrão das refeições, uso de medicamentos, dietas anteriores, estresse e sono. A partir daí, geralmente solicito ou avalio exames que incluem hemograma completo, ferritina, ferro sérico, transferrina, vitamina D, vitamina B12, ácido fólico, TSH com T4 livre, zinco, cobre, hormônios sexuais quando aplicável, e marcadores inflamatórios em alguns casos.

Esse painel ajuda a separar causas. Uma pessoa com ferritina abaixo de quarenta e queda capilar marcada provavelmente vai se beneficiar muito de uma reposição cuidadosa. Outra com tireoide alterada precisa primeiro do acompanhamento endocrinológico, e a nutrição entra como suporte ao tratamento principal. E há ainda quem tem todos os exames bons e a queda persiste, sinalizando que a causa pode ser dermatológica e merece olhar especializado.

Quando suspeitar de outra causa

Nem toda queda é nutricional. Alopecia androgenética, alopecia areata, telógeno após eventos agudos como cirurgia, parto, infecções, e quadros dermatológicos como dermatite seborreica intensa têm mecanismos próprios. Pós-Covid e pós-cirurgia bariátrica, por exemplo, costumam disparar episódios marcantes de queda que se estendem por meses.

Quando o cabelo cai em áreas localizadas, em placas, ou quando há sintomas associados como coceira persistente, descamação ou dor, o caminho passa pelo dermatologista. Nesses casos a nutrição continua sendo aliada, garantindo as bases para que o tratamento principal funcione melhor, mas não é o protagonista.

A pergunta que faço, antes de mais nada, é onde está o desequilíbrio de fundo. Quando olho a alimentação, os exames e o histórico em conjunto, costuma aparecer um caminho claro de ajuste. E quando o ajuste acontece com método, o fio responde, sem promessa milagrosa, com a paciência que o ciclo capilar exige.

Pronta para começar sua jornada?

Agende sua primeira consulta e vamos construir juntos um plano alimentar que respeite sua rotina e seus objetivos.

Agendar consulta

continue lendo

Outros textos que talvez te interessem.

Falar no WhatsApp